segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

MAMÃES REFÉNS
Atualmente, as futuras mamães estão sendo 'reféns' de um sistema de cobrança muito bem pensado e intrincado: O PAGAMENTO DO PARTO. Pagam para trazer seus filhos ao mundo, mesmo quando possuem plano privado de assistência à saúde, com cobertura obstétrica integral.
Para se livrar das indiferenças (em sua maioria) nas consultas pré-natal de um sistema público (SUS), muitas optam por escolher e contratar um PLANO PRIVADO DE SAÚDE, a fim de terem (pelo menos no mundo das ideias OU ideais) um pouco mais de conforto e segurança quando decidirem ter um filho.
Eis que, contratado um plano privado de assistência à saúde, com ampla cobertura, estando em dia a mensalidade e não havendo carência, ainda assim surge a infeliz notícia: parto normal ou parto cesárea será COBRADO À PARTE.
Mas como?
E por quê?
Os valores assustam, são vultuosos: Variam de R$ 1.000,00 a R$ 3.500,00, dependendo do obstetra. 
Dizem que a cobertura do plano só abarcaria o pré-natal com o mesmo obstetra. O parto será com um plantonista. Senão, tem que pagar à parte. 
Nada de sonhar em ter o parto (normal ou cesáreo) com o acompanhamento do MESMO médico do pré-natal! Quer tê-lo nesse momento tão especial, APÓS PASSAR OS 9 MESES TENDO TIDO O ACOMPANHAMENTO POR ESSE MÉDICO??? NÃO PODE! TEM QUE PAGAR! Ou tenha o parto com o plantonista...
Mas se quiser a segurança e o amparo do MESMO MÉDICO do pré-natal, aquele que inspirou confiança durante o período de dúvidas e medos da gestação, PAGUE! E PAGUE BEM, MESMO SEM PODER! Mesmo que a Lei diga que não é devido! Mesmo que o plano de saúde lhe ofereça a cobertura de obstetra e pediatra! 
E não esqueça que NÃO HAVERÁ RECIBO! Médicos que cobram assim, não fornecem recibos!
Quem ousará questionar???
Quem ousará dizer que NÃO, quando se trata da vida, do cuidado, da saúde de um FILHO?
Quem argumentará com o médico?
Não, a gestante, a mamãe não pode optar...
Ficará com a ilusão de que contratou um plano para ter TODO O ATENDIMENTO DE QUE NECESSITA. MAS NÃO TERÁ! Algumas coisas, serão cobradas à parte... E bem cobradas! 
Na hora de escolher um PEDIATRA, outro susto: Para acompanhar o parto, também há cobrança à parte! E não se ousa cogitar pediatra de plantão! Tem que ter escolhido um... Tem que pagar... à parte e sem recibo! 
Somos reféns. Reféns de um sistema médico em que, se queremos qualidade de atendimento, temos que pagar PLANO pra isso. E, não obstante, não temos todos os serviços disponíveis, porque há um mercado à parte.
Sim, a MEDICINA parece ter virado um MERCADO. 
Conversando com um vizinho meu, foi como ele definiu: um mercado onde se assiste, diariamente, médicos que gostam de ostentar suas viagens, suas casas, suas vidas... E nada de preocupação com a vida alheia. Após inserção no mercado, NÃO há interesse em vislumbrar e aplicar o CÓDIGO DE ÉTICA. A única ética parece ser a da cobrança 'menos invasiva' (se é que se pode chamar assim, quando há possibilidade de parcelas esse valor à parte, dar cheques, tudo DIRETO com o obstetra e o pediatra, SEM passar pela secretária, claro!).. 
Médicos e planos não conseguem chegar a um consenso do quão justo deve ser o valor pago por um parto. E NÓS, MAMÃES, É QUE PAGAMOS A CONTA.

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